
Um grupo de 14 pinguins-de-Magalhães reabilitados retornou à natureza no dia 15 de outubro. A soltura foi realizada na Praia do Moçambique, em Florianópolis, pela Associação R3 Animal, executora do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) na capital catarinense.
Após o retorno ao mar, os animais estão saudáveis e aptos para retornar às suas colônias reprodutivas. Um dos pinguins recebeu um transmissor via satélite, instalado pela equipe do Projeto Albatroz. Com isso, será possível acompanhar seu trajeto em tempo real e obter novos dados que contribuam para a conservação da espécie.
Até chegar esse momento de liberdade, o processo foi desafiador. Os pinguins foram encontrados encalhados em diversas praias de Santa Catarina, sem forças para retornar ao mar. O resgate é feito pela R3 Animal em parceria com outras instituições, que executam o PMP-BS em outros municípios.
Segundo a médica-veterinária Dariana Nesello, do PMP-BS/R3 Animal, muitas pessoas, na tentativa de ajudar, acabam colocando os pinguins de volta na água, o que pode agravar seu estado de saúde. “Quando saem do mar, geralmente é porque estão exaustos. Muitos estão afogados e já não conseguem mais nadar. Chegam muito magros, hipotérmicos e famintos, sem forças nem para ficar de pé. Aos poucos, vamos acompanhando a recuperação”, explica.
A reabilitação dos pinguins na R3 Animal inclui aquecimento para regular a temperatura corporal, hidratação, alimentação com peixes para ganho de peso, administração de medicamentos e fisioterapia na piscina para fortalecer o condicionamento físico e garantir a impermeabilização das penas.
Durante o inverno, os pinguins-de-Magalhães são visitantes da costa catarinense. Eles partem de suas colônias reprodutivas na Patagônia Argentina em busca de águas mais quentes, onde há maior oferta de alimentos.
Neste deslocamento, é esperado que muitos indivíduos juvenis, que estão em sua primeira migração e são inexperientes, se percam do bando e encalhem nas praias. Ações antrópicas como poluição marinha e interações não intencionais com pesca podem agravar a situação.
Em Florianópolis, 2.674 pinguins-de-Magalhães foram registrados na temporada de migração de 2025, dentre vivos e mortos, segundo dados do PMP-BS/R3 Animal. Desses, apenas 115 estavam vivos no momento do resgate – número considerado dentro da normalidade.
A realização do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.