
No dia 20 de setembro, a praia de Florianópolis foi palco de um momento especial: a soltura de onze pinguins-de-Magalhães, resgatados em praias de Santa Catarina e tratados até estarem aptos a retornar à natureza. O evento foi realizado pela Associação R3 Animal, executora do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) em Florianópolis.
Esta foi a primeira soltura de pinguins da temporada de 2025, realizada na Praia do Moçambique, na capital catarinense. O objetivo é que esses animais sigam as correntes marítimas e retomem suas rotas migratórias. Um dos pinguins recebeu um transmissor via satélite que foi colocado em parceria com o pesquisador Guilherme Bortolotto, professor de Ecologia Marinha e parceiro da R3 Animal. Assim, será possível registrar a sua rota em tempo real e adquirir novos dados para apoiar a conservação da espécie.
Durante o inverno, os pinguins-de-Magalhães são visitantes da costa catarinense. Eles partem de suas colônias reprodutivas na Patagônia Argentina em busca de águas mais quentes, onde há maior oferta de alimentos. Porém, é esperado que indivíduos juvenis, que estão em sua primeira migração e são inexperientes, se percam do bando e encalhem nas praias.
“Os pinguins chegam muito debilitados, magros, com frio e fome, sem forças nem para ficar de pé. Aos poucos, vamos acompanhando a recuperação: eles começam a comer peixes inteiros, ganham peso, ficam em pé… é muito gratificante saber que fizemos parte disso”, relata Dariana Nesello, médica veterinária do PMP-BS/R3 Animal.
A reabilitação dos pinguins na Associação R3 Animal inclui aquecimento para regular a temperatura corporal, hidratação, alimentação para engordar, medicamentos e fisioterapia na piscina para ganho de condicionamento físico e impermeabilização das penas.
Em Florianópolis, 2.421 pinguins-de-Magalhães foram registrados na temporada de migração de 2025 até o momento (20 de setembro), dentre vivos e mortos, segundo dados do PMP-BS/R3 Animal. Desses, apenas 107 estavam vivos no momento do resgate – número considerado dentro da normalidade nesta época do ano.
Quase três meses após o resgate, o primeiro pinguim encontrado vivo em Florianópolis neste ano voltou ao mar. O animal foi registrado no dia 24 de junho, próximo a um riacho no bairro João Paulo, e encaminhado ao Centro de Reabilitação da R3 Animal. Não há informações sobre as circunstâncias que o levaram a aparecer em um local distante da faixa de areia, o que tornou o caso inusitado.
O pinguim estava caquético, com sinais de afogamento e hematomas que indicam interação com rede de pesca. Durante o tratamento, recebeu antibióticos, vermífugos e passou por sessões de laserterapia. O animal ganhou peso de forma satisfatória e apresentou bom desempenho na piscina, até que os exames atestaram sua aptidão para voltar à natureza.
Por serem gregários, os pinguins aguardam a formação de um grupo para serem soltos. Eles recebem um microchip subcutâneo, do tamanho de um grão de areia, que permite a identificação do indivíduo caso ele seja encontrado novamente.
– Se o animal estiver no mar, não interfira; ele pode estar de passagem e o resgate ainda não pode ser realizado;
– Se o animal encalhar na areia, não tente devolvê-lo ao mar;
– Jamais coloque o pinguim em contato com o gelo;
– Evite se aproximar do animal: ele pode se assustar e tentar voltar para o mar;
– Afaste crianças, animais domésticos e curiosos;
– Acione o resgate: 0800 642 3341 ou (48) 3018 2316 (diariamente das 7h às 17h)
A realização do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.